rina pri

Desabafo explicativo

::: Hoje eu escrevi um negócio no twitter que provavelmente fez muita gente me olhar torto. Eu disse que tenho preconceito com quem escreve errado. E tenho mesmo, não vou mudar de opinião. Mas logo depois eu mandei uma “retratação” – eu acho uó escrever errado, mas continuo amando os meus amigos que não são bons de texto. E olha que não são poucos…

Eu sou perfeita nos meus textos? Sei que não. Mas eu procuro ser. Eu tento melhorar, aprendo com meus erros, se é um texto sério (um artigo, email profissional, blablabla) eu sempre faço revisão e peço a alguem (ei, Nath!) pra revisar novamente. Porque eu não sou infalível nem perfeitinha (e graças a Deus por isso).

Mas daí que umas três pessoas que eu gosto muito comentaram nesse meu tweet (ou tuíte, em português, de acordo com a nova edição do Aurélio). E comentaram fazendo piadinhas sobre si mesmos e sobre mim também, e eu fiquei pensando que talvez elas realmente tivessem ficado chateadas com isso. E aí eu resolvi escrever esse texto.

O fato é: eu realmente acho que todo mundo tem que saber escrever e ler bem em português. Saber se articular. Todos mundo. Mas a realidade não é essa e isso acontece por uma série de coisas. A alfabetização não foi boa, algum trauma com professores de português, nunca houve incentivo para ler e escrever bastante, o foco era outro (oi, amiguinhos de TI), porque a internet realmente meio que emburreceu o povo etc., etc., etc.

E por todas essas coisas eu entendo que nem todos têm o mesmo nível de domínio da língua portuguesa que eu. E por isso eu respeito quem não sabe usar a língua portuguesa – ortografia, gramática, semântica, concordânica e tudo o mais – direito.

O que eu não consigo suportar é quando a pessoa em questão é um profissional “das letras”. E eu não falo só de jornalistas e escritores (tem noção do quanto de “burrinhos” existem nessas duas áreas?). Redatores publicitários, músicos (ou musicistas?), pastores, professores (juro) e tais. Sem falar naqueles que não são “formados” nisso, mas que têm o texto como parte integrante e inerente às suas profissões – e isso inclui você, blogueiro-ou-qualquer-um-que-se-propõe-a-ter-um-site, que não sabe, entre outras coisas, que não se usa espaço antes de uma vírgula, que ponto e vírgula não indica o uso de letra maiúscula na sequência e que SIM, VOCÊ É OBRIGADO A SABER ESCREVER BEM SE RESOLVE ESCREVER PUBLICAMENTE.

Veja bem, eu não estou falando de estilo de texto. Se você resolve escrever tudo em caixa baixa, sem fazer o uso devido das maiúsculas (como eu faço muitas vezes), isso é uma questão de estilo, não de ignorância. Se você escreve em miguxês, ok, sem problema (apesar de ser feio pra caramba, ok? Combinados?), mas pelamordedeus, SAIBA ESCREVER DE VERDADE.

Eu edito textos diariamente e o pessoal do trabalho sabe o quanto sofro com tantos erros. Falta de acentuação é o básico. Coisas que eu nunca poderia imaginar, como “a cima” e “a baixo” hoje eu já tiro de letra. Vírgulas nos lugares errados – ou a falta delas -, parágrafos de tamanhos monstruosos, trocar “consertar” por “concertar” fazem parte do que eu vejo todo dia. São textos bons? No final, sim (sem nenhuma falsa modéstia, eu edito muito bem).

Não é que todo mundo precise escrever perfeitamente bem (já falei lá em cima, não sou e nem quero ser perfeita). Mas se você se propõe a escrever e publicar alguma coisa, é preciso o mínimo de cuidado, né? Se você é o autor e não teve uma boa base de língua portuguesa, poxa, pede a alguém para revisar (eu cobro baratinho!), estude para aprender…

É como a língua falada. Não nos comunicamos diariamente de maneira formal, usando todos os oblíquos como deveríamos e nem os “vossos” e “tu” como estão nas regras. Mas se você for, por exemplo, em uma entrevista de emprego, em uma conversa mais séria, fatalmente vai ao menos tentar falar “mais bonito”.

É a mesma coisa com a língua escrita.

Observe bem que não sou uma xiita, que não quero eliminar as abreviações maravilhosas que usamos hoje em dia (quem fala direito numa conversa online? quem? quem usa caixa alta e baixa, que fala “você também é uma pessoa maravilhosa” ao invés de “vc tb é 10!”? Vamocobminá, cada coisa tem seu lugar), que também não sei tudo de português (nova ortografia, sua linda…) e que não sou uma bitolada.

Mas daí a entrar no twitter/blog/site/wtv de alguém e ver aquele mundo de erros (ok, às vezes são até poucos) e dizer que eu estou ok com isso, não dá. Ou receber um currículo com erros, ou um artigo que veio de uma assessoria de imprensa (que teoricamente deveria ter revisado), e ver aquelas coisas grotescas, ahhh, não!

Não dá e não quero. E vou continuar tendo preconceito com gente que escreve errado, sim. Ainda que alguns eu até releve… por costume, por amizade ou por qq outro fator…

ps: um dos únicos descontos que eu dou para isso é quando o problema é acentuação. a nova regra ortográfica ferrou todo mundo, né…

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7 thoughts on “Desabafo explicativo”

  1. Eu penso assim: Se o cara, que é o mais interessado que eu leia, escreveu de qualquer jeito, por que eu devo gastar meu tempo lendo-o?

    Isso tem um nome: preguiça. E eu não gosto de gente preguiçosa. 🙂

    Abraço!

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