Publicado por: Rina Pri | 29/04/2013

O que acontece em um ano

::: Outro dia me falaram que nós somos como um albergue: passam por nós vários hóspedes, uns que vem e vão, outros que a gente nunca viu. A mesma pessoa falou também que “o tempo, seus novos ventos, novos olhares, tudo nos leva ao centro do que nem sabíamos que existia”.

Obviamente essas duas frases me marcaram muito. Porque me pegaram em um momento que me descubro, redescubro e me acho de novo lá nas boas e velhas origens.

Essa semana eu faço um ano de São Paulo. E como eu mudei em um ano… até aprendi a cozinhar alguma coisa hohoho. Já não morro mais de fome 😀

Apesar de vir morar em SP ter sido um sonho de longa data, a realidade é, quase que invariavelmente, mais dura. Mas não foi a cidade em si que foi dura comigo – acho até que tem sido generosa demais! Foram as mudanças que eu me causei nesse ano, também por conta da mudança. Talvez se eu tivesse continuado em Vitória essas mesmas mudanças tivessem acontecido, mas certamente teriam sido em um outro ritmo, outro compasso. Aqui, foi bem mais rápido.

A primeira coisa que eu decidi fazer por conta da mudança foi me abrir mais a novas amizades. No sentido de ir busca-las, e não tanto esperar que chegassem a mim. Sim, eu sempre fui acomodada. E crescer em uma igreja me ajudou a não firmar tantas amizades fora dela. Isso foi ruim, muito ruim, mas tem sido devidamente corrigido 😀

Também resolvi participar de dois grupos “virtuais”- e eles conseguiram causar em mim as maiores mudanças. No modo de ver minha vida, minha posição enquanto mulher, mais ainda, enquanto cidadã. Também enquanto cristã – ou algo do gênero.

Mudar – de cidade, de Estado, da casa dos meus pais, mudar quase que de alma – me fez reconhecer, firmar e solidificar alguns valores e ideias que hoje sei que andarão comigo pra sempre (e espero mesmo não morder a língua!). Fiz uma tatuagem. Fiquei ruiva ~de verdade~. Me permiti – o não eu já tenho… então resolvi arriscar. E deu certo. E foi bom. Pena que não “deu certo”, mas deu certo!

E nessa de me permitir eu  me redescobri – “albergue”. Percebi que eu aceito uns desafios, que eu não quero a perfeição, que meus sonhos mudaram, mas nem tanto assim.

Eu ainda sou a mesma “garotinha ruiva que gosta de joaninhas e sonha com um charlie brown”.

Ainda sou aquela que vai largar tudo pra socorrer um amigo em qualquer horário e dia da semana. Mas que já aprendeu a não deixar ultrapassarem todos os limites, que não é mais aquela bocó da adolescência (AINDA BEM, NEAM).

Ainda quero um pouquinho de perfeição, sim. Mas não aquele ~sonho~ perfeito. Não quero o pacote completo. Quero só o essencial. O resto a gente resolve.

Percebi que eu posso ser muito mais “ousada” do que já fui, mas que é preciso tomar cuidado com os limites – meus, dos outros.

Assumi que sim, eu gosto de ter controle. Sim, eu sou sistemática. Exato, sistemática, mesmo dentro do meu mundinho bagunçado. Mas até assumir isso (oi, tem nem uma semana), eu sofri. Muito. Porque esse ladinho controladoradusinferno, é difícil. E se torna muito chato. E me faz perder coisas que eu realmente queria.

Nesse um ano eu descobri que não, a igreja não me faz falta. A Graça, faz. A igreja, não. Até porque tenho descoberto igrejas de verdade fora dos prédios, fora do “mundo físico”. Descobri a igreja dentro de casa, lá longe, naquele fim de mundo.

Engraçado que eu já sabia disso. Eu só não tinha ainda me tocado disso. Ou vivenciado. Ou colocado em prática.

Descobri mais uma vez – ou percebi, se ficar melhor – que meus problemas não são nada. Na-da.

Redescobri que amo gente que nunca encontrei na vida. Entendi que a saudade não dói tododia, mas que tem dia que dói mais que fazer tatuagem.

Ah, e por falar em tatuagem, fiz a minha primeira. Não, não foi porque eu mudei pra SP (de acordo com registros históricos da senhora minha mãe, a primeira vez que mencionei querer uma tatuagem foi aos 9 anos). Mas foi porque mudar pra SP me fez mais forte e mais corajosa pra enfrentar uns medos (tipo da agulha).

Percebi que quem tá do seu lado tododia não tá necessariamente sempre com você. E descobri que eu nem quero que esteja. Porque se é pra ter gente preconceituosa e cheia de frescuras comigo, eu quero não. Quero mais é andar liberta, quero mais é poder chamar a atenção de quando alguém estiver sendo assim, ainda que esse alguém seja minha mãe (ei, mãe, eu te amo e você é super avant gard (pra usar o francês), mas mesmo com 70 você ainda tem o que aprender, né!).  Aliás, quem tá no tododia muitas vezes, quase sempre, não está no quandopreciso. E quem não está do meu lado tododia geralmente é quem mais tem ombro e lenço e piadas pra me fazer parar de chorar quandopreciso.

Em um ano eu mudei muito. Mas em nenhum aspecto eu acho que foi pra pior. Em um ano, mais do que mudar de Estado, eu  mudei de vida. Porque me permiti, porque quis, porque precisava. Porque tava muito confortável.

Ainda não acabei. Nem de chorar, como estou agora, nem de mudar. Ganharei novos olhares, novos ares, e novas Rinas. Espero que seja uma melhor que a outra, claro. Só espero, no meio do caminho, do processo e do aprendizado, não perder muitas coisas que eu encontrar e desejar. Só se for realmente preciso.

Por enquanto eu só acabei esse post. E só porque minha mente parou de processar tudo aquilo que tava fervendo aqui quando comecei a escrever. Daqui a pouco começa de novo.

Mais uma vez, obrigada, turbilhão.

E se você não entendeu muita coisa, se você achou esse texto todo confuso e mal escrito, obrigada! A única pessoa que precisa entender sou eu, assim como acontece com todos os meus textos aqui no umbiguinho…

 

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Responses

  1. De alguma forma, sinto-me parte de alguma coisa aí em cima. Obrigado.

  2. Concordo com o Herman.. tb achei um cisquinho meu ai.. 🙂

  3. Eiiiii! Já ouviu a frase “saudade do q nunca vi, mas sei q existe”? rss – Saudade ti!!!! Espero estar aí nessa sua mudança boa, e fazer parte desse contexto lindo q é sua transformação! bjokas no coração! (Edna Piperno)

  4. “Voltar é uma grande ilusão, estamos sempre indo…” C. Marzo

    Rina, tal como J.Done disse que a Inglaterra ficava menor quando alguém se ia, São Paulo ficou maior e melhor com você aqui, ACREDITE!
    Pelo menos tivemos infecção por bicho-barbeiro de chagas e seu trypanossoma e o nosso coração cresceu com você.

    Beijos.
    Dinho

  5. te amo grandona!!! bem vinda, sempre. E viva o turbilhão!


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