Publicado por: Rina Pri | 16/06/2013

Sobre os protestos

::: Um título sem muita graça para um texto que tava agarrado aqui desde sexta. Foi um comentário no facebook que me fez destravar. 

Eu nunca fui uma ativista de nada. Nem de ir fazer impacto evangelístico, na época de “crente fervorosa” eu gosta. Até ia, mas não gostava. Sempre me senti incomodando os outros e isso é algo que eu não gosto. Por isso, até poucos anos atrás eu era bem contra a maioria dos tipos de protesto, principalmente os que limitavam o trânsito das pessoas que não estavam participando.

Mas chega uma hora que o incômodo dentro de si mesmo é maior que a vontade de não incomodar os outros. E ainda bem que a gente muda.

Estou desde quinta acompanhando toda a movimentação dos protestos aqui em SP e em outras cidades. Não li nada dos primeiros porque estava fora (do País) e realmente não vi.

Mas aí vieram os protestos de quinta. Eu não fui, na verdade fui pro outro lado da cidade, para comer com uma amiga. Estava lá pela Berrini, acompanhando pelo celular e grupo no whatsapp o que tava acontecendo.

Teve bomba na minha rua. Aqui pertinho de casa. E eu levei um susto quando vi e percebi que talvez eu não conseguisse chegar em casa. E não dava pra ficar no restaurante mais tempo. Pegamos o taxi e viemos. A av. Paulista ainda tava fechada, mas a r. Consolação já tava livre para trânsito. Tava tudo bem parado a partir da R. Matias Aires, abri o vidro e perguntei pra uma menina como estava a Bela Cintra, ela disse que não tinha mais nada. Então descemos do táxi e caminhei essas duas quadras vendo o estrago deixado – ar enfumaçado, muito muito lixo na rua, algumas lixeiras de ferro com lixo queimado dentro.

O mais “engraçado” é que eu não fiquei horrorizada. Eu tive pena de a coisa ter ficado daquele jeito, ainda acho que é desnecessário fazer isso (mesmo com gente me explicando que as lixeiras são usadas para proteção). Mas o que eu sentia era um nó, uma angústia e uma certeza de que a coisa poderia ter sido diferente se tivesse continuado uma manifestação pacífica.

Em casa, vi mais algumas coisas rapidamente, dormi. Na sexta, não consegui trabalhar (oi, Patrão, desculpa!). Fiz o mínimo, o que eu REALMENTE precisava, mas passei o dia lendo os relatos, as notícias e as informações disponíveis no twitter e facebook. E quanto mais eu lia, mais crescia em mim aquele nó, aquela angústia e a vontade de fazer algo.

Eu não estava lá, mas eu acredito que as manifestações começaram pacificamente. Pelo todo que eu vi, a polícia agiu errado, sim. Afinal, ela não deveria estar ali para conter/desfazer a violência, ao invés de provocar ainda mais violência?

Eu também sei que nem todas as pessoas que estavam ali tinham boa intenção. Com certeza havia grupos que queriam emso era fazer bagunça. Assim como grupos políticos que se aproveitaram do momento para erguer suas bandeiras, literalmente (eu não acho que o movimento seja totalmente apolítico, mas acredito que a influência política nele seja/fosse pequena, ao menos inicialmente).

Além da questão da violência “tiro, bala, gás”, já começaram a surgir também notícias de violencia sexual contra mulheres, durante o protesto. Não recebi nenhum relato de estupro consumado, mas se você ainda acha que apenas isso é violência sexual, me liga que a gente precisa conversar e eu terei prazer em pagar um café pra você e te contar umas coisinhas. Moças que tiveram blusas rasgadas, foram chamadas de vadias e vagabundas, calcinhas retiradas e dedos (do policial) enfiados na vagina. Sim, “tiro, bala, gás” foi só uma parte da violência que aconteceu.

Aí hoje teve manifestação no Rio, contra a Copa. Ok, ok, ok, protesto um pouco atrasado – a coisa VAI acontecer. Mas não acho que seja inválido. Copa no Brasil é lindo, é fantástico, é MÁGICO. Mas é um absurdo.

Absurdo também é quem tá no protesto achar que quem tá vendo o jogo é mané e pronto. Não vale xingar quem não quer participar. A gente faz a nossa parte, mas não pode impedir o outro de fazer o que quer também – isso é tão errado quanto policial mandar bomba de gás pra dentro da Quinta da Boa Vista, sendo que tinha gente que talvez nem soubesse que tava rolando protesto (tinha criança lá!) e fechar todo mundo lá a ponto de rolar negociação. Protesto, não sequestro, gente.

O protesto no RJ foi super violento. E sim, dava pra fazer de outra forma. É impossível que a polícia não conheça outras táticas de contenção!! (Já que os manifestantes estavam lá, era preciso contê-los. Façam isso, mas sem violência).

Amanhã tem outro protesto aqui em SP. Eu não vou pra rua, eu tenho medo, sim. Mas vou me juntar pra fazer a informação circular, para contribuir do jeito que eu posso e sei.

Eu não sei se essas manifestações vão levar a alguma mudança concreta, se a situação vai ficar a mesma, se o valor da passagem vi baixar ou não (e, baixando, se o movimento continua). Mas eu prefiro acreditar que sim. Eu prefiro acreditar que isso é o início da mudança de mentalidade do brasileiro (EU INCLUSA), da acomodação geral. Talvez a gente não veja um reflexo super diferente nas próximas eleições, talvez seja uma mudança mais lenta do que precisaria. Mas eu acho que ela vai chegar. E, se um dia eu tiver filhos, quero que eles tenham um Brasil melhor, sim, quero também poder falar que eu vivi essa mudança. Se coragem às vezes pula uma geração, e eu acho que ela pulou a minha, eu acredito que ela esteja fazendo um retorno e pegando a gente, junto com a turma mais nova.

Porque se eu parar de acreditar, vou fazer o que? Continuar reclamando que tá tudo uma bosta, que ninguém faz nada pra mudar, que “o povo” não sabe votar? É melhor acreditar e ajudar a fazer acontecer.

E se você não está acompanhando direito, ou se está acompanhando só pela TV, faça um favor a si mesmo: procure informações no Twitter e no Facebook. 

Eu tenho replicado muita coisa nas minhas contas:

https://www.facebook.com/rinapri

https://www.twitter.com/rinapri


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