Publicado por: Rina Pri | 09/07/2013

Das porradas inesperadas

::: Hoje foi um dia otimo, de muito amor e gente querida. Dia de levantar a auto estima, sabe? Dia de se deparar com uma cara de pau mais inesperada. Mas infelizmente também foi dia de levar uma porrada da vida, daquelas bem dadas e bem inesperadas.

No Egito, durante os protestos, tem sido comum acontecer violência sexual contra as mulheres. Nas nao é gente que puxa a garota do meio da multidão, leva pro canto e a estupra. São estupora múltiplos, no meio da multidão. Veja aqui a história de uma jovem de 30 anos .

Eu recebi esse link e nao ia abrir. Aí chegou uma imagem de uma pagina da Folha com manchetes totalmente sem noção de estarem juntas. Na imagem, meu olho correu o texto. E aí eu senti um soco no estômago. E comecei a lacrimejar. E daí a chorar.

E aí eu resolvi ler a matéria inteira pra poder ver se parava. (Quem me conhece sabe que tenho uma torneira de lagrimas, com o registro quebrado. Quando começa a vazar é um deus-nos-acuda).

Eu chorei muito por essa e tantas outras mulheres que têm sofrido uma violência tão absurda de grande. Chorei diante da minha incapacidade de fazer qualquer coisa. Chorei porque doeu em mim. Doeu, inclusive, o tanto que minhas mãos estão atadas.

Sim, eu sou normalmente sensível e sei que estou um pouco mais nas ultimas semanas (hormônios, sim, tpm, nao). Mas eu me surpreendi com o tanto que sofri junto com essas mulheres. Uma boa surpresa, nevertheless.

É triste e dolorido demais pensar que um povo nao pode se expressar livremente. E que mulheres ainda enfrentam obstáculos como esses para prosseguir. E que elas, ainda assim, continuam tentado, e dando a cara a tapa, e se mostrando e contando suas historias. É triste e dolorido, mas eu so posso querer ter um pouquinho da força delas pra conseguir um jeito de ajudar (nem que seja retuitando, compartilhando e fazendo um post num bloguinho-umbigo como o meu).

So posso esperar que isso me leve a ser mais consciente e me dê mais forças para enfrentar as minhas batalhas, que nesse momento parecem ser tão pequenas e fúteis e inúteis, mas que eu sei que são dignas. Nao há demérito aqui. Apenas batalhas diferentes.

E eu, por um lado, agradeço pelas minhas. Mas por outro me sinto uma inútil mesmo, uma incapaz.

E depois de um dia tão bom, de tanta reafirmação das minhas capacidades, é com esse sentimento de inutilidade que eu vou dormir. Mesmo sabendo que, por hora, o que posso fazer é repassar a mensagem e continuar levando as minhas porradinhas. Esperando o dia em que serei forte suficiente pra agüentar também outras batalhas.

[post escrito no celular. Por isso tanta falta de acentuação :P]


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