Publicado por: Rina Pri | 23/09/2013

E se eu tivesse casado aos 26?

::: cozinhei. fiz refogado de legumes, fiz sopa, coloquei roupa na máquina, lavei louça, dei um tapa na cozinha. fui tomar banho, lavar o cabelo, deixar o cansaço da insônia de ontem descer pelo ralo. junto com a água também foram uns pensamentos.

e se outro dia eu fiquei pensando em quem eu era há 10 anos, hoje pensei nuns “e se…” da vida.

se eu tivesse casado mais nova. se eu tivesse casado aos 26 com aquele namorado. se eu tivesse conseguido o que realmente queria aos 26.

é muito “e se” pra uma vida só.

se eu tivesse feito qualquer uma das coisas que poderia ter feito aso 26 (26/27) minha vida teria um rumo totalmente diferente hoje.

acho que certamente estaria em outra cidade – nem em São Paulo, nem em Vitória. talvez no interior. ou em outro estado. provavelmente teria um filho ou mais (e eu nem sei, hoje, se quero ter filho).

muitíssimo provavelmente eu não estaria trabalhando com internet. talvez tivesse continuado dando aula de inglês.

eu teria outros amigos, igualmente tão caros como os que tenho hoje, mas não tenho certeza se tão “na saúde e na doença”, se tão pra amar e odiar e brigar e aceitar e levar esporro e concordar e discordar. tudo assim. grupos inteiros que me aceitam como e porque eu sou.

mas o pior de tudo: se eu tivesse casado aos 26 eu não seria a eu que sou hoje. eu não teria me descoberto mais cristã do que já fui (não evangélica, ok? pfv, diferente), não teria me entendido feminista (que sempre fui, foi questão de entender isso), não teria engordado e me aceitado como sou nem desejado emagrecer por mim, apenas e simplesmente por mim.

naquela época me disseram que eu era muito “Alice”, vivia num mundo de fantasia. eu discordava – e discordo – que era assim. podia não ser a pessoa mais sensata e madura do mundo (até hoje não sou assim, não é mesmo?), mas não era alienada, não era uma Alice nesse sentido pejorativo que tentaram me encaixar.

mas, obviamente, enxergava o mundo de forma um tanto diferente de hoje. na minha percepção, hoje tô muito melhor – vejo mais possibilidades, mais cores, sabores, texturas, mais diversidade. e aceito tudo isso muito mais suavemente.

hoje, ao olhar para os meus 26 anos, entendo que a crise entre casar porque “tem que ser” e não casar porque “não é bem assim que quero” era grande, e fico muito, muito feliz por ter conseguido, naquele momento, saber principalmente o que eu não queria. pois foi a partir daí que eu consegui quebrar várias coisas e começar a viver o que é a minha vida hoje.

e hoje, apesar de sozinha, não poderia me sentir melhor do que estaria se tivesse casado lá atrás. aliás, a sensação que tenho, e é muito forte, é que a coisa teria acabado pouco depois de começar e que hoje eu não seria nem eu atual, nem eu aos 26 anos – ou a eu que eu sonhei com 26 anos,

eu acho que não sou, hoje, quem eu sonhei ser aos 20 e poucos. aliás, eu nem tenho muita certeza se tinha alguma expectativa para mim. acho até que poderia, sim, estar melhor. mas de maneira nenhuma posso dizer que não estou bem. aos trancos e barrancos, caindo de vez em quando (literalmente, e usando o advérbio da forma correta, já que eu realmente caio bastante :P). mas me levantando, aprendendo e não querendo, por nem um minuto, ter aquela vida que não tive, ter optado por algum outro caminho. fico feliz de perceber que eu faria quase tudo da mesma forma.


Responses

  1. Hoje em dia eu rio de muitas coisas do meu eu de 10 ano atrás.

    Porém, o eu de 10 anos atrás é o pai do eu hoje.

    Mais cansado. Menos bobo. Um pouco mais malicioso – num bom sentido. No sentido de enxergar a maldade do mundo.

    Não sinto saudades dele. Mas o acho necessário.

    O fato é que gosto do eu de hoje. E se mudar alguma coisa do eu passado mudasse o eu hoje, eu, hoje, não ia querer.

    Sou feliz como sou. Não sou nada do o o eu-10 achava que eu fosse ser.

    Acho que ele me veria como uma derrota completa.

    Eu só posso pensar nessa derrota dele como a vitória. Minha.

    Nossa. Minha e dele.🙂

    • Sim! O eu do passado é essencial pro eu de hoje, ne? Ele poderia ter sido melhorzinho, fato, mas de forma alguma eu não o quereria. E olha, te dizer que nem as burradas que fiz eu desfaria!🙂


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