Publicado por: Rina Pri | 04/11/2013

Jantar pra viagem

::: Eu comecei academia há 3 semanas. Fui em 3 aulas + a avaliação física, e semana passada não fui dia nenhum. Pronto, agora você já sabe disso.

A academia fica na Rua Augusta, no lado Jardins. Eu moro na Bela Cintra, Centro. São duas quadras pro lado e umas 7 pra baixo. Um caminho curto, mas que sempre tem muitos mendigos.

Tem muito mendigo em SP. Isso me “assustou” um tanto quando mudei. Mas infelizmente a gente acostuma com eles dormindo na calçada todo dia de manhã. E perambulando pela rua durante o dia.

Eu raramente sou abordada. Alguns até chamam, pedem dinheiro. Mas eu tenho como política não dar dinheiro. Acho muito complexo e vai demorar pra explicar, sei que nem todos estão ali “porque querem” ou pedem o dinheiro “para comprar bebidas e drogas”. Há quem faça, mas eu sei que não são todos. No entanto, já vivi e ouvi casos em que a pessoa se propõe a comprar a comida/o leite/as fraldas/etc, enfim, a ajudar sem dar o dinheiro em si e o ajudado responde com um sonoro não, xingamentos e reclamações. Sad, but true.

Aí hoje eu saí da academia, 20h30, e tive a brilhante ideia de passar no Habib’s e comprar comida. Afinal, não tem gás em casa e eu precisava resolver a fome. Comprei o Prato Verão, aquele que vem com kibe cru, homus, coalhada seca e tabule (nhamm nhamm). Peguei minha caixa e vim pra casa.

No meio do caminho, ainda na Av. Paulista, um mendigo me pediu dinheiro. Eu balencei a cabeça. Ele pediu comida e apontou pra minha caixa. “Me dá um”. Eu balancei a cabeça e segui em frente. E estou até agora me roendo por dentro por não ter entregue a caixa toda pra ele. Eu andei um pouco, pensei em voltar. Andei mais um pouco e pensei que deveria voltar. Masa não voltei, continuei o meu  caminho, segurando a caixa que agora pesava uns 30kg.

Quando cheguei em casa, abri a caixa, coloquei azeite na comida, sentei. Dei umas três garfadas e simplesmente não consigo mais comer. Eu to aqui enjoada, sem conseguir olhar pra comida que eu tanto gosto.

E justo hoje não tinha nenhum outro mendigo no meu caminho. Nem os que ficam dormindo na calçada do meu quarteirão, nem andando pela rua, nem pedindo dinheiro em alguma esquina. Nem. Um. Minha angústia ficou tão grande que eu daria a refeição para o primeiro que encontrasse e aceitasse.

Mas não fiz. Não tinha ninguém. Agora só tem essa angústia aqui me matando.


Responses

  1. Sempre tem uma segunda vez.


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