Publicado por: Rina Pri | 08/11/2013

Expectativas que eu nem sabia que tinha.

::: Eu tenho um costume que não gosto, e tento mudá-lo toda vez: quando alguém me pede uma opinião, eu geralmente listo os todos os defeitos pra só depois falar o que é bom. Sempre que lembro faço o contrário: elogio primeiro, pra depois apontar o que não gostei, ou que pode melhorar etc.

Aliás, eu tento sempre elogiar os outros. Elogio é bom, né? Eu fico mega sem graça na maioria das vezes quando alguém me elogia (e isso é outra coisa que eu tenho tentado mudar: aprender a aceitar elogios), mas é claro que gosto.

Aí que eu cuido das duas revistas que publicamos na empresa (sim, além do portal e dos contatos com gringos). E hoje chegou uma super esperada – é a que vai ser distribuída no nosso evento de amanhã, o InterCon – edição de 10 anos. Edição comemorativa do evento, com revista novinha, que traz uma matéria especial sobre a empresa (a comunidade, que fez 13 anos, e o InterCon).

E se eu fico estressada e ~murrida~ a cada processo de uma nova edição das revistas, dessa fiquei muito mais. Revista com prazo certo pra chegar, sem possibilidade de atraso. Eu de férias bem no recebimento do conteúdo. Gente nova entrando no processo (exatamente pra cobrir as minhas férias). Uma bagunça bastante grande – e inesperada – no meu retorno ao trabalho. Atrasos nos prazos iniciais. Tive que reeditar textos, ler com atenção todo o conteúdo, revisar, prestar atenção, brigar, mandar trocar capa, ser ríspida com os outros, ficar até tarde no trabalho. Tive mais dores de cabeça do que nas edições que fiz “sozinha”, como única editora. Li tantas vezes a mesma coisa que quase que a capa sai com um erro enorme. Usei todo o meu ~charme~ com a gráfica pra ganhar tempo – a revista foi para impressão com 3 dias de atraso, e ainda tivemos um problema no cnpj da empresa e quase que não deu pra emitir a NF e entregar tudo hoje.

Enfim. Eu ralei pra caralho nessa edição.

Aí a revista chegou hoje. Linda, linda. Eu fui lá, recebi os pacotes, rasguei um toda afoita pra ver. Mostrei pro outro editor (o que cobriu minhas férias), pra menina que cuida dos patrocinadores, tirei uma pra cada um e saí distribuindo nas mesas.

E aí… ao invés de ouvir um “nossa, ficou massa” “tá linda” “que bacana” ou qualquer outra coisa, o que ouvi foi “ih, saiu um erro aqui”. “Putz, ta errado ali”. “Sacanagem, não falaram sobre isso”.

Me deu uma dorzinha, não, uma dor. Porque doeu mesmo. E muito.

Eu sei que deveria ter olhado com mais atenção. Que deveria ter revisado de novo e novamente. Que a responsabilidade final por cada ponto fora do lugar é minha.

Mas eu também sei o tanto que fiz. E que fiz até onde conseguia. E que fiz mais do que devia, já que era pra estar tudo ok quando chegasse de férias.

E não, eu não queria que me elogiassem, que falassem que o meu trabalho foi ótimo, que eu sou ótima. Eu só queria ter ouvido um elogio ao produto. Àquilo que eu não fiz sozinha. Àquilo que custou o trabalho de mais de 20 pessoas. Não é um mérito meu. Mas a dor de ter ouvido tanta crítica tá sendo só minha.

Isso tudo me traz à lição de todo dia. Aquela que eu tenho que pregar na porta de casa pra ler quando sair e quando voltar, pra não esquecer: expectativas, em toda e qualquer esfera da vida, sempre abaixo do joelho. Lá no tornozelo. Rasa. Muito. Pra não sofrer nem se magoar com quem não tá nem sabendo que você se importa.

expectativa_mae_da_merda


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