Publicado por: Rina Pri | 18/12/2013

Da necessidade de se pular do barco

::: Eu estava bem. Bem decidida e me achando muito bem resolvida. Aí eu fui tomar banho e a água do chuveiro ficou meio salgada misturada com as lágrimas. Chorei de raiva, de tristeza, de angústia, de frustração por saber que eu não estava assim tão bem resolvida.

Passou.

Um dia. Dois dias.

Aí um querido, que estava triste, resolveu usar o ombro oferecido. E eu fui, na melhor das intenções, tentar ajudar. Falei um pouco daquelas coisas que a gente tenta falar quando sabe que não tem nada a dizer, que nada vai resolver – só o tempo mesmo. E foi pra ajudar que eu fui ler um texto – precisava achar como era a frase certinha que dizia bem isso, que só o tempo resolve. E antes de chegar na tal frase, li outra. Era um comentário, apenas, mas me deu um nó na garganta, aquele aperto no peito. E os olhos marejaram. Imediatamente e tão intensamente que eu tive que levantar e ir ao banheiro, antes que as lágrimas rolassem ali, no meio do escritório.

“O importante é viver tudo. Viva as perguntas agora. Quem sabe aos poucos venha a viver as respostas” (Rainer Maria Rilke – Cartas a um jovem poeta)

No banheiro, respirei e me segurei, mais uma vez, pra não chorar. Sequei as lágrimas que teimavam em sair dos meus olhos, verifiquei bem que meu nariz não estivesse naquele tom vermelho-denúnicia e voltei ao trabalho. Voltei à conversa.

E entre ignorar perguntas sem respostas, cinema, barcos, pulos, piadas sem graça (o elefante na plantação de morangos – quem nunca?), risadas até mesmo pelas piadas sem graça, conclusões internas sem ligação com o mundo, conversas magníficas e ciência pop (?); entre telefonemas de trabalho e edições de texto. Eu fiquei genuinamente feliz por ter conseguido alegrar, ainda que por apenas alguns minutos, o dia de alguém. E esqueci da frase, das lágrimas. E fiquei feliz com um elogio tão leve quanto “sua presença me faz sorrir”.

Acabou o trabalho, acabaram o lanche e as fofocas do dia, também foi-se a roupa que precisava ser lavada e pendurada e os updates da vida digital. Aí vim escrever.  

E acho que chorei (estou chorando) tudo o que agora não tinha saído. O que, por um lado, é bom. Por outro, amanhã acordarei putaquepariumente inchada. Mas o fato é que eu não podia mais não chorar, não podia mais “ser a forte”. A última vez que chorei foi no avião. Contida, pra não perturbar, pra não despertar nenhum tipo de “interesse” sobre mim. Não, eu não precisava de uma comissária de bordo indo lá com um lencinho perguntar se eu estava bem.

Mas depois disso eu realmente não lembro de ter aberto a torneira e simplesmente chorado. Nem no domingo, no banho de lágrimas. Eu ia sair, não tinha tempo pra chorar, e também não queria “estragar o meu domingo”.

Já hoje… era só eu. Eu, as lembranças de uma semana tão tumultuada, de um dia melhor que o esperado, de que “sempre pode piorar” (e geralmente piora antes de melhorar). Aí fiz aquilo que precisava: escolhi uma playlist aleatória bem melancólica, abri o chorador e fui embora.

A parte ruim vai ser amanhã cedo, os olhos inchados (feito um sapo boi). A parte boa é que dei mais um passo no trampolim – e agora acho que realmente to bem na pontinha. Quem sabe acordo sapo boi dentro d’água!

De qualquer forma – sapo boi ou não, dentro d’água ou ainda tomando coragem para o pulo – o fato é que eu sei que dei tempo ao que precisava, que vivi o que podia (ou o que existia em mim), e que tentei. Ah, ninguém pode falar que eu não tentei.

E pra quem começou o ano disposta a se dar chances, eu acho que termino com um saldo muito positivo. Mesmo chorando (agora, nesse segundo, já de uma felicidadezinha, e não mais de dor-tristeza-raiva-angústia, por perceber que, apesar das lágrimas, eu estou, sim, mais feliz, mais certa e mais disposta. Inclusive a ter novas lágrimas).

[este era pra ser um post sobre a tristeza de outros e de como uma piada sem graça pode mudar o rumo, ainda que por minutos. mas não foi.]


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