Publicado por: Rina Pri | 13/10/2015

Das amizades, do tempo e das distâncias que criamos

::: Tenho memórias lindas da minha adolescência/juventude. Bom, eu não tenho lá grandes memórias, não vou lembrar de detalhes, mas algumas coisas, pessoas e situações eu lembro muito bem.

Como do dia que me deram um porre de mojitos home made que tinham cada vez mais rum e menos soda. Por consequência, ouvi um “tente andar em linha reta apenas até o elevador”, ao que respondi com um trêbado “por quêeeeeee?”.

Também teve a vez que peitamos meio mundo na igreja e colocamos um guri de patins, no meio do culto, no musical que ensaiamos com os adolescentes.

Ou daquele amigo que estava sofrendo horrores de um coração partidíssimo na beira da praia, cantando um pagode em meio às lágrimas, e tudo o que dava pra fazer era abraçar e segurar o riso (que foi solto depois, porque a situação era ridiculamente brega). Ou, ainda, do dia que fiquei dando voltas pela cidade para consolar aquele amigo que estava inconsolável e aos prantos após um filme.

(ah, os amores que passam, vão e voltam, se reencontram e ficam)

Algumas coisas me tocam fundo toda vez que eu lembro que me distanciei de alguns amigos que eram tão próximos. O motivo? Vai saber.

Mudanças de Estado, de ideologias, de estado civil. Tentativas inúteis de manter contato, o tempo que nunca sobra pra nada, as prioridades que mudam (e não deveriam).

Eu sempre me julguei muito disposta e à disposição. Mas quando lembro dos amigos que estão ali, mais no cantinho do coração e da memória efetiva do que na vida ativa, me pergunto onde errei, se errei, se deveria ter tentado mais, insistido novamente, deixado a birra de lado (eu tento), insistido.

Ou se não, se realmente fiz o que podia. Se dei o espaço que julguei necessário e ele acabou por ser muito. Se tudo isso existe apenas na minha cabeça e, na verdade, quase nada mudou. Se basta um telefonema e a gente vai se rever e tomar um café e o assunto vai fluir como acontecia nos chats de meio de tarde naquele ano tão distante, em que a correria já existia, mas era, sem dúvida, menor. Ou então, eu só tinha mais pique e disposição mesmo.

Queria ter coragem para esse telefonema. Essa cara de pau, porque acho que é. Essa malemolência de mandar uma mensagem e contar da gravidez, do motivo de não ter chamado pro casamento, perguntar como a vida está e ouvir as coisas boas e ruins dos últimos anos.

Mas não tenho. Me acharei uma boba, tola, existe uma certeza aqui dentro de que vou, novamente, quebrar a cara. E acho isso tão triste em mim! Queria ter mais esperança.

Porém, se for eu a receber tal mensagem, tenho certeza que ficarei toda boba, que tentarei ao máximo encaixar as agendas pra logo, e irei, toda pimpona, pra mais um encontro, cheia de expectativas. Que poderão ser frustradas, que poderão me mostrar que “não tem mais nada a ver mesmo” ou ter qualquer outro resultado inesperado. Mas eu ficarei feliz. E certamente esse dia será adicionado às memórias que ficarão deliciosamente guardadas aqui.


Responses

  1. poxa…tô numa fase assim de rever os valores e verdadeiras amizades…as que ficaram, e também me vejo teimosa comigo mesma, as vezes birrenta… mas aí não sei se saio perdendo ou ganhando……


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: