Publicado por: Rina Pri | 10/01/2014

Drops com calmantes

::: Não, não estou em uma crise nervosa. Aliás, até eu to surpresa com a minha calma. Só que não tô tão calma assim como aparento: a azia e 3 pelotas de herpes no lábio me dão certeza que por dentro a coisa tá fervendo.

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O mais legal é que é a segunda crise de herpes em pouco mais de um mês – e depois de um bom tempo. Na primeira semana de dezembro – aquela, quando eu tive a crise feia de inflamação de garganta e herpes e afta. Tudo. Na. Mesma. Semana.

Foi massa.

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A parte boa de ter herpes há tantos anos – vc aprende a identificar logo no inicío, o que evita ficar MUITO FEIO. Aciclovir logo no início e tals, nada demais. Nada comparado com a primeira crise, que foi causada pelo excesso de sol e me fez ficar uma semana com a beiça inchada!! Eu tinha uns 14 anos. PENSA.

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Enfim… a semana foi tensa. O clima no escritório tá meia boca e eu estou trabalhando em mim pra não deixar cair mais. Mas é aquela coisa, “a vida muda” e a gente precisa estar preparado. Pra completar, eu estava absurdamente cansada todos os dias – hoje foi o primeiro dia que eu acordei não-cansada. Terça, quarta e quinta foram bem, bem cansativos. Mas dormi melhor essa noite.

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A semana não foi de todo ruim. Principalmente se eu considerar que sábado passado faz parte dessa semana 😉

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Só espero que os passos não estejam sendo tão pequenos a ponto de parar de andar. Mas se for… well. Já tenho gente com a pá e a vassourinha na mão pra catar caquinhos just in case. Inclusive nomeei alguém oficialmente pra isso!!

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Hoje eu vou dormir em Sto André, na casa da Pri, porque amanhã é aniversário dela e ela inventou de ir pra alguma fazendo num lugar meio longe de SP pra tomar café colonial. Café da manhã. Cedo. A previsão é sair de casa às 6h30 -_-

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Juro que só vou porque a coisa é meio familiar, já que ela e meu irmão estão namorando. Se fosse só minha amiga, sem o vínculo afetivo, eu ficaria em casa, dormindo.

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A semana foi puxada e cansativa, mas também foi de aprendizado e re-afirmação de características. Sim, sou chata, sou exigente, mas to indo no caminho certo (de acordo com alguns queridos que me ajudaram). E marketing de conteúdo, vem cá pra eu te destrinchar. Nham.

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E como não tenho nada melhor, hoje fui de brigadeiro. Torcendo pra ele e o cansaço bastarem pra eu desligar e dormir as poucas horas que terei até amanhã. Torcendo mais ainda pra amanhã ser divertido (vai ser, eu sei. O grupo que vai é ótimo. Mas é acordar cedo, num sábado, pra ir pra roça. So not me).

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Dia de faxineira: o carregador do notebook sumiu e quem disse que eu acho? Tchau, bateria!

 

Publicado por: Rina Pri | 06/01/2014

Pequenos prazeres

::: Totalmente Amélie Poulain, né?

  • Dormir com muito sono e acordar só na hora que o olho abrir, totalmente descansada
  • Comer sorvete direto do pote
  • Na mesma linha, beber água direto da garrafa
  • Chegar em casa e tirar os sapatos
  • Andar descalça
  • Pisar na grama
  • Despedidas com retorno marcado
  • Um banho frio num dia muito quente depois de andar na rua e chegar suada-derretida
  • Lavar os pés com água fria depois de andar muito
  • Atendentes simpáticos
  • Novos amigos que se tornam melhores amigos desde a sua infância
  • Dormir no sofá, à toa, no meio de um filme/seriado/programa de tv
  • Café depois do almoço
  • Conversa trivial com gosto de especial
  • Risadas altas
  • Gente que te faz dar risadas altas
  • Fazer as unhas (dos pés e das mãos)
  • Tirar a calça jeans depois de um dia inteiro
  • Deitar na cama morta de cansaço, de roupa e tudo, do jeito que chegar da rua, e descansar por meia hora antes de fazer qualquer coisa
  • Coçar o ouvido
  • Cafuné
  • Fazer um caminho diferente
  • O amor demonstrado por quem te cobre enquanto você tá dormindo
  • Saber que alguém sorri por sua causa (o que é diferente de alguém que ri por sua causa)
  • Descobrir as muitas coisas boas no último ano ao reler as notas da jarra da felicidade
  • Almofadas
  • Pisar no tapete num dia fresco. Pisar no chão num dia quente.
  • Mexerica (ou, tangerina, como queira)
  • Chorar naquela cena mais boba daquele filme/seriado
  • Ter razão de vez em quando
  • Estar errada de vez em quando (por mais que doa)
  • Meia-luz
  • Massagem – no ombro, nas costas inteiras, nos pés, nas mãos (nem é um prazer pequeno, né)
  • Comer pipoca
  • Beber coca-cola depois de comer um bocado de pipoca
  • Bala de hortelã
  • Caronas (dar e receber)
  • “Ah, fica mais…”

 

Publicado por: Rina Pri | 31/12/2013

2013 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 14,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 5 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

Publicado por: Rina Pri | 25/12/2013

Baixas expectativas até no natal

::: Eu já perdi as contas de quantas vezes esse ano eu mudei minha imagem de capa no Facebook para algo relacionado a “expectativas – melhor não tê-las” em um ato consciente de auto-lembrança para manter o nível bem, bem baixo.

Por conta das expectativas eu tive altos e baixos amorosos/românticos e quebrei a cara bonitamente ao cair dos altos (e eu entendo que a “culpa” foi minha – a expectativa era minha). No que consegui controlar melhor, tive boas surpresas, e não frustrações.

Quando meu avô passou mal, em outubro/novembro, e os planos do natal em família foram dissolvidos (porque meu avô não pode mais sair de casa, questão de mobilidade), eu fiquei bem triste. Natal sempre foi com meus avós, tias e primos, por mais que o “família-ê, família-á” do ano tivesse sido turbulento.

Entre me preocupar com o que ia acontecer e ficar feliz com o que viesse, eu optei pela segunda coisa.

Além disso, ainda tinha o fator irmão e sobrinha. Porque meu irmão do meio, o pai da minha sobrinha, geralmente passa o dia 24 com a família da esposa (só fazendo uma aparição rápida por aqui) e depois vem aqui no dia 25. O que é ok, mas sempre fica aquela coisa “será que ele vem” e “quando ele vem”. E já teve ano de ser uma visita super rápida, de minha cunhada não vir. E eu fico, sim, chateada. Mais ainda por ver minha mãe chateada AND defendendo ele.

Daí que eu resolvi não criar expectativas também com essa parte. Se ele viesse ok, se não viesse, tava bom também. No mínimo seríamos eu e meus pais, já que meu irmão mais velho talvez não viesse por conta da situação das estradas com a chuva (mas ele veio).

E aí, com as expectativas baixas, eu tive um dos melhores jantares de natal que consigo me lembrar. Só hoje (24) de tarde eu soube que irmão, cunhada e sobrinha viriam jantar conosco. E eles vieram. E foi ótimo. Foi natal como deveria ser. Sem expectativas e cheio de surpresas, como a vida deveria ser.

Espero que, daqui pra frente, eu tenha menos vontade de adesivar a casa toda com lembretes sobre o que a alta expectativa me faz (o mal que faz). Que eu saiba lidar melhor com essa danada. E que eu aprenda a ter as expectativas bem moderadas, tendendo a elevadas em pouquíssimas e raras situações. Menos frustração, menos irritação, menos gastrite, mais vida.

 

Publicado por: Rina Pri | 24/12/2013

Filmes para chorar

::: Ontem eu tava precisando chorar. Dessas coisas que eu tenho: precisar chorar. Tava meio angustiada, acho que porque meu irmão ia pegar a estrada pra vir pra Vitória (saindo de Viçosa) hoje cedo. É, talvez, a única explicação consciente pra essa angústia (mas eu aposto que tenho outras).

Enfim.

Eu queria chorar. E aí pedi indicação pros amigos da timelinda no facebook. E tive vááárias. Fiz uma lista pra ficar bonito e pra agradecer a quem indicou os filmes!

Acabei não vendo nenhum deles ontem – o sinal de internet foi pro saco (chuvas, chuvas…). Comecei a assistir “Medianeras” (tem no netflix), que tinha salvo no laptop, mas nem terminei porque o sono foi maior. Mas agora que já tenho a lista toda + 1, vou assistir (ao menos os que eu ainda não vi).

Como sou linda, fiz a lista com os links de todos no IMDB e indicando os que estão disponíveis no Netflix (os que têm um asterístico (*) (sic))!

O campeão da lista é “Os Indomáveis”, com várias indicações. Eu assisti no cinema e chorei mesmo!. Outros que foram indicados mais de uma vez (2 ou 3): Túmulo dos Vagalumes, Em Busca Da Terra Do Nunca, Cartas Para Julieta, Meu Primeiro Amor, O Pianista e O Impossível.

  1. À Espera De Um Milagre
  2. A Estranha Vida De Timothy Green
  3. A Menina E O Porquinho* (Charlotte’s Web)
  4. A Vida É Bela* (Life Is Beautiful)
  5. Antes Do Amanhecer (a trilogia, que também tem Antes Do Pôr Do Sol e Antes Da Meia-Noite* – Before Midnight)
  6. Antes Que Termine O Dia
  7. As Coisas Impossíveis Do Amor
  8. As Pontes De Madison
  9. Cartas Para Julieta* (Letters To Julliet)
  10. Central Do Brasil
  11. Dançando No Escuro
  12. Diário De Uma Paixão
  13. Doce Novembro
  14. Duelo De Titãs
  15. Em Busca Da Terra Do Nunca* (Finding Neverland)
  16. Hotel Ruanda
  17. Intocáveis
  18. Lado A Lado* (Stepmom)
  19. Lixo Extraordinário
  20. Mary And Max*
  21. Meu Primeiro Amor* (e também a parte 02) (My Girl)
  22. Nanny Mcphee
  23. O Amor Não Tira Férias
  24. O Impossível
  25. O Menino Do Pijama Listrado* (The Boy in the Striped Pajamas)
  26. O Pianista
  27. O Som Do Coração* (August Rush)
  28. O Tempo Que Resta
  29. Os Indomáveis* (3:10 to Yuma)
  30. Peixe Grande E Suas Maravilhosas Histórias* (Big Fish)
  31. Procura-se Um Amigo Para O Fim Do Mundo
  32. Pronta Para Amar
  33. PS: Eu Te Amo
  34. Resgate Na Neve
  35. Sempre Ao Seu Lado
  36. Sete Vidas* (Seven Pounds)
  37. Simples Como Amar
  38. Simplesmente Amor
  39. Sob A Areia
  40. Sociedade Dos Poetas Mortos
  41. Tomates Verdes Fritos
  42. Toy Story 3* (tem o 1 e o 2 na Netflix)
  43. Túmulo Dos Vagalumes
  44. Uma Carta De Amor
  45. Uma Lição De Amor
  46. Uma Prova De Amor

Updates:

Filmes que faltaram na lista ou chegaram depois:

Up: Altas Aventuras* (Up)
Stuck In Love
Amor
– Longe Dela

Publicado por: Rina Pri | 18/12/2013

Da necessidade de se pular do barco

::: Eu estava bem. Bem decidida e me achando muito bem resolvida. Aí eu fui tomar banho e a água do chuveiro ficou meio salgada misturada com as lágrimas. Chorei de raiva, de tristeza, de angústia, de frustração por saber que eu não estava assim tão bem resolvida.

Passou.

Um dia. Dois dias.

Aí um querido, que estava triste, resolveu usar o ombro oferecido. E eu fui, na melhor das intenções, tentar ajudar. Falei um pouco daquelas coisas que a gente tenta falar quando sabe que não tem nada a dizer, que nada vai resolver – só o tempo mesmo. E foi pra ajudar que eu fui ler um texto – precisava achar como era a frase certinha que dizia bem isso, que só o tempo resolve. E antes de chegar na tal frase, li outra. Era um comentário, apenas, mas me deu um nó na garganta, aquele aperto no peito. E os olhos marejaram. Imediatamente e tão intensamente que eu tive que levantar e ir ao banheiro, antes que as lágrimas rolassem ali, no meio do escritório.

“O importante é viver tudo. Viva as perguntas agora. Quem sabe aos poucos venha a viver as respostas” (Rainer Maria Rilke – Cartas a um jovem poeta)

No banheiro, respirei e me segurei, mais uma vez, pra não chorar. Sequei as lágrimas que teimavam em sair dos meus olhos, verifiquei bem que meu nariz não estivesse naquele tom vermelho-denúnicia e voltei ao trabalho. Voltei à conversa.

E entre ignorar perguntas sem respostas, cinema, barcos, pulos, piadas sem graça (o elefante na plantação de morangos – quem nunca?), risadas até mesmo pelas piadas sem graça, conclusões internas sem ligação com o mundo, conversas magníficas e ciência pop (?); entre telefonemas de trabalho e edições de texto. Eu fiquei genuinamente feliz por ter conseguido alegrar, ainda que por apenas alguns minutos, o dia de alguém. E esqueci da frase, das lágrimas. E fiquei feliz com um elogio tão leve quanto “sua presença me faz sorrir”.

Acabou o trabalho, acabaram o lanche e as fofocas do dia, também foi-se a roupa que precisava ser lavada e pendurada e os updates da vida digital. Aí vim escrever.  

E acho que chorei (estou chorando) tudo o que agora não tinha saído. O que, por um lado, é bom. Por outro, amanhã acordarei putaquepariumente inchada. Mas o fato é que eu não podia mais não chorar, não podia mais “ser a forte”. A última vez que chorei foi no avião. Contida, pra não perturbar, pra não despertar nenhum tipo de “interesse” sobre mim. Não, eu não precisava de uma comissária de bordo indo lá com um lencinho perguntar se eu estava bem.

Mas depois disso eu realmente não lembro de ter aberto a torneira e simplesmente chorado. Nem no domingo, no banho de lágrimas. Eu ia sair, não tinha tempo pra chorar, e também não queria “estragar o meu domingo”.

Já hoje… era só eu. Eu, as lembranças de uma semana tão tumultuada, de um dia melhor que o esperado, de que “sempre pode piorar” (e geralmente piora antes de melhorar). Aí fiz aquilo que precisava: escolhi uma playlist aleatória bem melancólica, abri o chorador e fui embora.

A parte ruim vai ser amanhã cedo, os olhos inchados (feito um sapo boi). A parte boa é que dei mais um passo no trampolim – e agora acho que realmente to bem na pontinha. Quem sabe acordo sapo boi dentro d’água!

De qualquer forma – sapo boi ou não, dentro d’água ou ainda tomando coragem para o pulo – o fato é que eu sei que dei tempo ao que precisava, que vivi o que podia (ou o que existia em mim), e que tentei. Ah, ninguém pode falar que eu não tentei.

E pra quem começou o ano disposta a se dar chances, eu acho que termino com um saldo muito positivo. Mesmo chorando (agora, nesse segundo, já de uma felicidadezinha, e não mais de dor-tristeza-raiva-angústia, por perceber que, apesar das lágrimas, eu estou, sim, mais feliz, mais certa e mais disposta. Inclusive a ter novas lágrimas).

[este era pra ser um post sobre a tristeza de outros e de como uma piada sem graça pode mudar o rumo, ainda que por minutos. mas não foi.]

Publicado por: Rina Pri | 11/12/2013

Dancing with myself

::: Ontem, segunda, o dia começou estranhamente bem. Tava de bom humor etc. Trabalhei super direitinho, focada. A noite também foi super boa. Ou seja, que segunda-feira!

Aí hoje, terça (ainda não dormi, ainda é terça-feira, dia 10/12) o dia amanheceu novamente – e estranhamente – bem. Despertei às 6h58 – 42 minutos antes do despertador. E não dormi mais. Took my time, dancei sozinha em casa antes de sair – ao som dessa playlist, que tocou dancing with myself bem na hora de sair. Fui trabalhar. E a cabeça esquentou logo nas primeiras horas no escritório. Também por questões de trabalho.

A Net fez o favor de cobrar uma fatura integral e não fazer o cancelamento da TV que eu pedi no meio de novembro. Depois de uma luta no telefone (sinal ruim do celular etc), consegui resolver. Esse foi o menor problema.

O maior mesmo começou no sábado. Recebi a caixa da Avon (“Avon chama!”, sim, sou revendedora. Por enquanto). Quando a abri, no domingo, vi que o conteúdo não era meu. A caixa veio trocada para caraleo – a dona da caixa é de outro município de SP!! Fiquei ontem e hoje tentando falar com a minha gerente de setor e nada. Celular só cai na caixa postal, no fixo ela nunca está.

Quando cheguei em casa, de noite, depois de tomar banho e respirar, liguei pra uma executiva de vendas aleatória (não tenho o telefone da que cuida da minha equipe) e conversei com ela. E foi uma perfeita estranha que começou a mudar meu dia. A mulher foi super atenciosa e prometeu tentar contato com a gerente do setor. (se ela fez, ou não, é outra história. Amanhã eu ligo e pergunto).

Aí depois disso fui desejar feliz dia do palhaço aniversário pra um amigo querido. A prima amada finalmente leu a mensagem que mandei pelo aniversário de 18 anos (omg, 18 anos!) e conversamos um bocado. Bom saber que quem amamos está bem, né? Vi um filme levinho e que me fez chorar. Assisti os episódios da semana passada de The X Factor.

Ouvi novamente a música que me faz dançar sozinha. E dancei, só com os dedos do pé, porque a posição que estou no sofá tá muito encaixadinha pra me mexer.

Vou dormir leve, bem mais do que estava no meio do dia. Ainda com preocupações, mas tranquila. Vou dormir, pra ser bem sincera. Porque do jeito que eu estava, não dormiria…

Quarta-feira, você é um cotovelo, uma esquina da semana, mas bem poderia me reservar ao menos uma boa surpresa, hein! Pra seguir os dias assim 😀

::: Quando eu era pequena queria ser arquiteta. Queria fazer escola técnica, faculdade de arquitetura e depois trabalhar com interiores. Era um plano, um plano bem definido. E, de acordo com minha mãe, eu nunca falei sobre fazer outra coisa.

Eu fiz escola técnica. Edificações. Reprovei no terceiro ano, em uma desgraça de matéria chamada “Resistência dos Materiais”. Era a única coisa que eu estudava. Quase reprovei em matemática (prova final precisando de 8). Em 100 pontos, fiz 23 ao longo do ano. O professor era um carrasco conhecidíssimo, desde a escola técnica até a faculdade de engenharia da Federal. 100 pontos em 23, direto para a prova final. Eu e todos os outros alunos. Quatro questões, 4h de prova, e eu não terminei. Reprovei. Reprovei e saí da escola técnica, já que estava bem desgostosa daquilo que deveria ser minha paixão – desenho arquitetônico (na mão, não tinha auto cad na época) (sou velha?).

Fui fazer terceiro ano regular + cursinho. E pensar na vida. Arquitetura, psicologia (discursiva de biologia, tô fora), pedagogia, letras – inglês, comunicação social. Fiz comunicação. Duas vezes – Rádio & TV e depois Jornalismo. E resolvi trabalhar com conteúdo. Online. Não faço notícias, produzo poucos textos, hoje, mas trabalho com conteúdo.

E aí tem dias que eu acho que tá fácil trabalhar como jornalista, em veículo diário. Porque, olha, é cada coisa… Tá bem legal ser jornalista esses dias.

Super divertido ver notícias o papai noel de chocolate que se parece com um pênis – http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2013/12/chocolate-de-papai-noel-vira-piada-ao-lembrar-orgao-sexual.html

Ou os perus que atravessaram a rua e lembram a capa do disco Abbey Road, dos Beatles – http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/12/bando-de-perus-reproduz-capa-abbey-road-dos-beatles.html (igualzinho, vai)

Ou como a galinha que chocou pães de queijo – http://noticias.r7.com/minas-gerais/galinha-se-confunde-e-choca-paes-de-queijo-no-lugar-de-ovos-em-varginha-mg-05122013 (ok, ao menos nesse caso tinha um fator ‘curioso’).

Eu vejo isso tudo, e ainda me espanta o fato de uma empresa que supostamente faz marketing de conteúdo querer cobrar do autor para escrever textos. Não, você não entendeu errado – não é o autor que ganha alguma coisa. É a empresa. O autor PAGA para escrever. Fato verídico (tanto quanto da galinha dos ovos de ouro dos pães de queijo) – http://fuidescobrir.wordpress.com/2013/12/10/voce-pagaria-para-escrever/

Tá fácil. Tá fácil trabalhar com conteúdo. Eu acho que deveria ter continuado dando aulas de inglês. Ou ter insistido na arquitetura… sei lá, viu.

Publicado por: Rina Pri | 10/12/2013

Você pagaria para escrever?

Olha, pensa…

Publicado por: Rina Pri | 29/11/2013

Deu tudo errado

::: Tem semanas em que a vida dá errado, e ponto. Tem semanas em que a vida dá tudo errado, às vezes são só algumas coisas. Essa foi uma dessas semanas.

Não deu tudo errado. Mas muita coisa que eu queria que desse certo – comigo, com alguns queridos. Aí, por conta de conversas do final da semana passada/início dessa eu tive insônia. Dois dias. E tudo relacionado a trabalho, então imagina o ânimo que foi.

Aí hoje eu li sobre serendipidade no facebook. Alguém fez um comentário sobre isso. E eu me peguei pensando se haveria um oposto – já que serendipity é  a capacidade de descobrir coisas felizes por acidente; uma coincidência feliz, um acaso fortuito e positivo. E a pergunta, feita ao acaso como um desabafo mesmo, teve resposta.

O oposto de serendipity é zemblanity. Uma surpresa desagradável.

Zemblanity, a word coined by William Boyd in his book Armadillo in the 1980s, is the polar opposite of serendipity. It’s named after the cold, barren serendipity-less island of Zembla. (daqui)

E se a semana foi conturbado, o dia hoje foi cheio de zemblanidade. O ânimo não tava bom e terminou de desandar no almoço.

Falta de oportunidades, frustrações, machismo muito maior que eu pensava. Teve de tudo nessa semana que tá acabando.

Me choca muito mais o tanto que essa semana deu errado do que alguns segredos confessados por aí.

Publicado por: Rina Pri | 24/11/2013

Domingo (ou: eu sou ótima em fazer péssimos títulos)

::: Se me perguntarem que música eu associo à palavra “domingo” eu terei duas respostas imediatas:

1. Domingo, do SPC – domingo quero te encontrar e desabafar toooooodo o meu sofreeeer

2. Cantiga de roda: hoje é domingo, ~pé de~ cachimbo

(você sabe que não é “pé de cachimbo”, né? É “pede cachimbo”)

Mas se você fizer uma busca rápida no youtube ou num site de letras de músicas vai encontrar Tim Maia, Gal Costa, Titãs, Roberto Carlos etc… Todo mundo falando das alegrias e tristezas do domingo.

Por anos meus domingos foram de ir pra igreja. De manhã E de noite. Aí eu parei de ir pela manhã, porque não to aqui pra ter que acordar cedo num dia que tá liberado dormir. Ir no culto da noite era legal porque a gente saía depois (quer dizer, isso depois que eu já tinha idade pra sair de noite). Era o básico, lanchar e voltar pra casa. Mas eu tava ali com meus amigos etc. Aí eu parei de ir pra igreja e os domingos ficaram assim “sem motivo”.

Mentira. Domingos já eram dias meio boring desde aquela época. Parar de ir na igreja só me fez poder fazer qualquer ocisa com meus domingo, inclusive nada. E isso é o que eu faço na maior parte das vezes. Domingos são dias pra fazer nada.

Geralmente esse nada se resume acordar tarde, tomar café vendo TV, almoçar tarde, organizar a alma para a semana.

Domingos também são bons dias para pensar na vida. Principalmente em dias nublados como hoje. Inclusive eu deveria arrumar a casa, mas ficar olhando pra janela e vendo os prédios nesse dia nublado e muito claro, enquanto um seriado tá passando na TV, tá muito mais legal.

Esse é  o nível de animação.

Desktop2

E enquanto eu fico aqui, pensando, tomando umas coragens, pensando, o mundo lá fora tá andando, obviamente. Amanhã eu volto pra ele.

A gente é fraco
Cai no buraco
O buraco é fundo
Acabou-se o mundo

Publicado por: Rina Pri | 20/11/2013

::: Meu avô, que tem 95 anos (96 em março/2014) teve um AVC. Hospital, uma semana e meia internado, casa. Ele tá “bem”. Mas vê-lo nesse final de semana foi triste. Porque vovô sempre foi tão ativo. E se antes ele já precisava de ajuda pra muita coisa (porque não é fácil carregar quase 10 décadas), agora precisa pra tudo. E tá magrinho que só. E aquela vivacidade, aquele brilho no olho, tá super apagadinho.

Eu fiquei triste. Eu voltei de Vitória bem triste. E estou assim desde ontem.

Eu não quero nem preciso de ninguém pra dizer que “vai ficar tudo bem”, porque está, dentro do possível, o que não é o ideal.

E eu queria escrever um post sobre velhice, cuidados, a decisão de não ter filhos e quem vai cuidar de mim quando eu for velha, o egoísmo que envolve isso tudo inclusive o querer ou não meu avô vivo. Mas eu fico muito mais triste só de pensar nisso tudo. E, veja só, to chorando aqui só de pensar nisso tudo, imagina se eu escrever.

Tá triste, tá sofrido. E eu to tão triste por ver meu avô como ele está, como por me imaginar no papel da minha mãe, a filha, nesse momento.

Então, por hora, vamos ficar só com isso. Meu avô tá velho, velhinho, e já não tão saudável. E isso é bem dolorido.

Publicado por: Rina Pri | 08/11/2013

Expectativas que eu nem sabia que tinha.

::: Eu tenho um costume que não gosto, e tento mudá-lo toda vez: quando alguém me pede uma opinião, eu geralmente listo os todos os defeitos pra só depois falar o que é bom. Sempre que lembro faço o contrário: elogio primeiro, pra depois apontar o que não gostei, ou que pode melhorar etc.

Aliás, eu tento sempre elogiar os outros. Elogio é bom, né? Eu fico mega sem graça na maioria das vezes quando alguém me elogia (e isso é outra coisa que eu tenho tentado mudar: aprender a aceitar elogios), mas é claro que gosto.

Aí que eu cuido das duas revistas que publicamos na empresa (sim, além do portal e dos contatos com gringos). E hoje chegou uma super esperada – é a que vai ser distribuída no nosso evento de amanhã, o InterCon – edição de 10 anos. Edição comemorativa do evento, com revista novinha, que traz uma matéria especial sobre a empresa (a comunidade, que fez 13 anos, e o InterCon).

E se eu fico estressada e ~murrida~ a cada processo de uma nova edição das revistas, dessa fiquei muito mais. Revista com prazo certo pra chegar, sem possibilidade de atraso. Eu de férias bem no recebimento do conteúdo. Gente nova entrando no processo (exatamente pra cobrir as minhas férias). Uma bagunça bastante grande – e inesperada – no meu retorno ao trabalho. Atrasos nos prazos iniciais. Tive que reeditar textos, ler com atenção todo o conteúdo, revisar, prestar atenção, brigar, mandar trocar capa, ser ríspida com os outros, ficar até tarde no trabalho. Tive mais dores de cabeça do que nas edições que fiz “sozinha”, como única editora. Li tantas vezes a mesma coisa que quase que a capa sai com um erro enorme. Usei todo o meu ~charme~ com a gráfica pra ganhar tempo – a revista foi para impressão com 3 dias de atraso, e ainda tivemos um problema no cnpj da empresa e quase que não deu pra emitir a NF e entregar tudo hoje.

Enfim. Eu ralei pra caralho nessa edição.

Aí a revista chegou hoje. Linda, linda. Eu fui lá, recebi os pacotes, rasguei um toda afoita pra ver. Mostrei pro outro editor (o que cobriu minhas férias), pra menina que cuida dos patrocinadores, tirei uma pra cada um e saí distribuindo nas mesas.

E aí… ao invés de ouvir um “nossa, ficou massa” “tá linda” “que bacana” ou qualquer outra coisa, o que ouvi foi “ih, saiu um erro aqui”. “Putz, ta errado ali”. “Sacanagem, não falaram sobre isso”.

Me deu uma dorzinha, não, uma dor. Porque doeu mesmo. E muito.

Eu sei que deveria ter olhado com mais atenção. Que deveria ter revisado de novo e novamente. Que a responsabilidade final por cada ponto fora do lugar é minha.

Mas eu também sei o tanto que fiz. E que fiz até onde conseguia. E que fiz mais do que devia, já que era pra estar tudo ok quando chegasse de férias.

E não, eu não queria que me elogiassem, que falassem que o meu trabalho foi ótimo, que eu sou ótima. Eu só queria ter ouvido um elogio ao produto. Àquilo que eu não fiz sozinha. Àquilo que custou o trabalho de mais de 20 pessoas. Não é um mérito meu. Mas a dor de ter ouvido tanta crítica tá sendo só minha.

Isso tudo me traz à lição de todo dia. Aquela que eu tenho que pregar na porta de casa pra ler quando sair e quando voltar, pra não esquecer: expectativas, em toda e qualquer esfera da vida, sempre abaixo do joelho. Lá no tornozelo. Rasa. Muito. Pra não sofrer nem se magoar com quem não tá nem sabendo que você se importa.

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Publicado por: Rina Pri | 04/11/2013

Jantar pra viagem

::: Eu comecei academia há 3 semanas. Fui em 3 aulas + a avaliação física, e semana passada não fui dia nenhum. Pronto, agora você já sabe disso.

A academia fica na Rua Augusta, no lado Jardins. Eu moro na Bela Cintra, Centro. São duas quadras pro lado e umas 7 pra baixo. Um caminho curto, mas que sempre tem muitos mendigos.

Tem muito mendigo em SP. Isso me “assustou” um tanto quando mudei. Mas infelizmente a gente acostuma com eles dormindo na calçada todo dia de manhã. E perambulando pela rua durante o dia.

Eu raramente sou abordada. Alguns até chamam, pedem dinheiro. Mas eu tenho como política não dar dinheiro. Acho muito complexo e vai demorar pra explicar, sei que nem todos estão ali “porque querem” ou pedem o dinheiro “para comprar bebidas e drogas”. Há quem faça, mas eu sei que não são todos. No entanto, já vivi e ouvi casos em que a pessoa se propõe a comprar a comida/o leite/as fraldas/etc, enfim, a ajudar sem dar o dinheiro em si e o ajudado responde com um sonoro não, xingamentos e reclamações. Sad, but true.

Aí hoje eu saí da academia, 20h30, e tive a brilhante ideia de passar no Habib’s e comprar comida. Afinal, não tem gás em casa e eu precisava resolver a fome. Comprei o Prato Verão, aquele que vem com kibe cru, homus, coalhada seca e tabule (nhamm nhamm). Peguei minha caixa e vim pra casa.

No meio do caminho, ainda na Av. Paulista, um mendigo me pediu dinheiro. Eu balencei a cabeça. Ele pediu comida e apontou pra minha caixa. “Me dá um”. Eu balancei a cabeça e segui em frente. E estou até agora me roendo por dentro por não ter entregue a caixa toda pra ele. Eu andei um pouco, pensei em voltar. Andei mais um pouco e pensei que deveria voltar. Masa não voltei, continuei o meu  caminho, segurando a caixa que agora pesava uns 30kg.

Quando cheguei em casa, abri a caixa, coloquei azeite na comida, sentei. Dei umas três garfadas e simplesmente não consigo mais comer. Eu to aqui enjoada, sem conseguir olhar pra comida que eu tanto gosto.

E justo hoje não tinha nenhum outro mendigo no meu caminho. Nem os que ficam dormindo na calçada do meu quarteirão, nem andando pela rua, nem pedindo dinheiro em alguma esquina. Nem. Um. Minha angústia ficou tão grande que eu daria a refeição para o primeiro que encontrasse e aceitasse.

Mas não fiz. Não tinha ninguém. Agora só tem essa angústia aqui me matando.

Publicado por: Rina Pri | 17/10/2013

Drops (pós-férias)

::: Fui, vi e venci. As viagens (duas cidades, milhares de escalas) foram ótimas, melhores do que eu esperava.

A primeira parada foi em Chicago e o tempo estava melhor agora, no outono, do que quando fui em junho. Quente, batendo 26ºC.

O evento que participei foi ótimo e acho que trouxemos novidades excelentes 🙂

Depois segui para San Francisco e isso merece um post à parte, porque foram quatro dias maravilindos. A cidade é linda, a road trip foi divertidíssima e as companhias eram excelentes.
***
Mas como nem tudo são flores, voltei ao trabalho. Tive quase uma semana em casa para colocar o sono em dia (diferença de -4h de fuso, acabou comigo). E segunda voltei à rotina.
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Voltei já entrando de sola, com processo atrasado e com pepinos que não deveriam existir. A semana ta tensa.
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Mas amanhã acaba. Teria feito tudo hoje, se não fossem as reuniões todas. E o fato que não consegui acordar.
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A volta das ferias trouxe outro retorno: academia. Tirando os quase 2 meses de Pilates no ano passado, acho que to pada há uns 3 anos. A professora até achou que eu não estava muito ruim \o/

Comecei na Terça, mas não fui ontem (fiz so avaliação física) nem hoje, por motivos de: sono em demasia. Amanhã eu vou. Farei Pilates (solo) e o circuito. Rumo aos -10kg (repete 3x e eu chego nos desejados e necessitados -30kg)
***
O sono de ontem e hoje teve parte de contribuição da academia que fui na Terça. Mas o fato é que fui dormir quase 3am na Terça. Gente, termogênico realmente da um gás danado! Cozinhei e fiquei acordada até muito mais tarde do que deveria. Ontem estava um caco. Mas não consegui dormi cedo e perdi a hora hoje.
***
~é um ciiiiclo sem fiiiiim~
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Hoje acordei totalmente sem graça. E assumi o motivo – que vem me “assombrando” a semana toda, mas a ficha só caiu hj. E ainda bem que tive reuniões e conversas e muito trabalho hoje. Não pensei. E daqui a pouco eu vou sair, então ocupo a cabeça de novo.
***
Acontece que eu resolvi que esse seria o ano do “o não eu já tenho”. E por isso fiz muita coisa (bacana) que normalmente talvez não fizesse por conta do medo do “não”.
***
Como eu ja tinha o não, fui lá e fiz. E fi otimo. Mesmo com os “e se”, resultados negativos e falhas. Porque ao menos eu tentei.
***
Mas aí quando você se toca de algo que não funcionou, e que poderia ter funcionado, começa a pensar um monte de coisa, né. E aí acontecem uns dias como hoje. Mas passa.
***
Voltei a fazer um diário. De papel, caderno e caneta etc. Vamos ver quanto tempo vai durar. A ideia é não ter mais do que três dias “trabalho-casa-dormir”. Voltar a observar o mundo, as coisas, encontrar os detalhes. Mesmo no combo “acordar-trabalhar-comer-dormir”. O extraordinário no ordinário etc.
***
Veremos.

Publicado por: Rina Pri | 28/09/2013

Samba do avião

Música incidental 1: “quem foi”, Marisa Monte.

::: Costumo dizer que eu tenho saudades de coisas que nunca foram. Saudades de lugares que nunca fui, pessoas que não conheci, de musicas que nunca foram de mim para ninguém.

Mas talvez pior do que a saudade do que nunca se teve, é perder o que nunca se teve. É uma curiosa dor de perda. Porque dói como se fosse de verdade, mas se nao foi algo que existiu, porque isso?

Música incidental 2: Our day will come – Blossom Dearie

Provavelmente porque existiu, afinal, em algum momento. O sentimento de existência, ao menos. Mesmo que nunca tenha se concretizado verdadeiramente de verdade.

E aí, quando essa coisa que nunca existiu mas esteve ali por um tempo termina, acaba, passa, fica a dor. Aquele vazio existencial. Aquela coisa remoendo no fundo.

Música incidental 3: Sutilmente – Skank

E aí, mesmo a mils pés de altura, mesmo querendo-precisando-devendo dormir, a única coisa que resta é deixar o rosto ser molhado por aquelas lágrimas que doem.

Doem porque não existiu. Doem porque, afinal, existiu em algum momento. Doem pela expectativa frustrada por nunca ter se tornado realidade. Pelo desejo e pela vontade de que tivesse sido diferente.

Música incidental 4: O amor é filme – Lisbela e o Prisioneiro

Não adianta brigar. É melhor deixar que essas tais lágrimas escorram e molhem a almofada que mal da suporte para a cabeça durante essa forma desajeitada e apertada de dormir em um avião.

Porque até mesmo as coisas que nunca existiram de verdade mas foram verdadeiramente sentidas precisam de um período de luto. E todo luto merece respeito.

(Musicas incidentais na ordem real que tocaram exatamente enquanto escrevia esse texto, que apareceu pouco antes de tocar “A minha gratidão é uma pessoa”, Nando Reis)

E isso tudo me lembrou esse poema:

One Art
(Elizabeth Bishop)

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

—Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster
.

Publicado por: Rina Pri | 25/09/2013

Blablablá whiskas sachet

::: Querido diário, faltam 2 dias e faltam 6 dias.

Falta 2 para eu viajar, faltam 6 para o evento (oi, hoje ainda é 24, eu ainda não dormi).

Faltam seis dias, apenas, para o primeiro evento que está realmente sob minha responsabilidade. Faremos (errr… o E-Commerce Brasil fará) um evento internacional na próxima segunda, dia 30. Em Chicago. ECommerce Brazil Meeting – Chicago. Sim, estou enlouquecida. Sim, tivemos problemas. Não, não me culpo por todos eles.

Ansiedade tá no talo. Semana passada roí todas as unhas, essa semana não estou dormindo direito, apetite diminuiu – pra não dizer que NADA me tira a fome, estresse nesse nível atual tira. Eu simplesmente esqueço de comer. Quem me lembra é meu organismo, que fica fraco e me deixa tonta.

ENFIM.

Teremos o evento. Pra completar, eu serei moderadora dos dois painéis. OMFG.

eu. vou. falar. em. público.

Mas vamos deixar isso de lado por um tempo, se não eu piro de vez mesmo. Deixa pra eu me preocupar com isso só a partir de amanhã, quando vou sentar pra conversar e estudar os assuntos.

Mas então, teremos os eventos. Além de tudo, um evento. Estou há 2 semanas (completas exatamente hoje) com isso como minha prioridade máxima de vida. Chat do facebook fechado por quase o dia todo, isso quando eu não fecho totalmente a aba do FB. Nem falo mais do twitter, já que tenho usado muito, muito pouco. Whatsapp eu sumo dos grupos mas acesso várias vezes ao longo do dia pra poder tirar a maldita bolinha vermelha das notificações. (sim, eu sei que dá pra desativar as notificações, tanto no celular como no aplicativo).

Aí’acaba o dia de trabalho. Eu poderia vir pra casa descansar, mas como resolvi fazer dieta – e estou muito firme no propósito, eu chego em casa e vou cozinhar. Pra comer direito. Porque não tem nunca nada pronto.

Aí de vez em quando eu paro e faço várias comidinhas e deixo pronta. Fiz isso esses dias atrás e por isso não morri de fome nem chutei o pau da dieta.

E desde semana passada que eu estou tentando fazer o meu itinerário de viagem – porque de Chicago eu vou pra San Francisco \o/ de férias \o/. Olho um site, outro, outro, volto, mudo de assunto, retomo e não sai nada. Aí vou assistir seriado. Filme. Qualquer coisa. Não concentro em nada.

Em resumo: ta foda.

Falta gás até pra ficar olhando pra timeline do facebook como quem admira peixes em um aquário.

Ontem foi um dos piores dias das ultimas semanas (tirando quarta-feira passada). É que, no topo de tudo, veio a TPM. Mas ao menos não menstruarei durante a viagem, ponto positivo (Poliana feelings).

Hoje começou terça e acabou quarta. Eram 16h40 quando olhei o relógio e achei que era 4a. Mas não era. Ainda bem, porque amanhã, quarta, eu tenho muita coisa ainda pra resolver e fechar.

Acho que pela primeira vez nos últimos meses eu não sumi por cansaço, porque não queria falar com ninguém ou coisa assim. Sumi porque não deu tempo. E por esgotamento, já no final do dia.

Por incrença que parível esse é o segundo ou terceiro post em dias seguidos. Acho que o estresse realmente tá diminuindo, algo assim, e aí minha cabeça funcionou. Ou não. É só necessidade de falar mesmo.

“Mas Rina, fale com uma pessoa”. Olha, na boa? Se tem coisa que eu não gosto é de gente monotemática. E nos últimos dias meu único tema é esse evento e o meu cansaço. Então, não tenho muito o que dizer. Já comentei com algumas pessoas e já inclusive pedi pra mudar o assunto (vamos falar de tekpix? iogurteira toptherm?).

Hoje não foi um dia menos apertado que os anteriores. Mas ver algumas coisas se organizando obviamente trouxe calma pra mim. Mas a noite foi tão, tão boa que fechou muito bem 🙂

Fui com uma queridíssima de Vitória numa premiação de livros infantis e juvenis que ela estava entre os finalistas (1300 textos enviados, 10 finalistas, ela lá. Infelizmente não foi a grande vencedora…). Foi uma coisa totalmente diferente do que eu estou acostumada. O evento – Prêmio Barco A Vapor – homenageou a Tatiana Belinky, escritora infanto-juvenil que, entre outras muitas coisas, foi a primeira pessoa a adaptar a obra de Monteiro Lobato pra teatro e tele-teatro (tipo TV, saca?). Eu não a conhecia mas já a amo. “Pra que livro com moral? Porque ditar o que a criança tem que pensar? Deixe que ela pense por si própria”. Ela falou isso (well, não exatamente com essas palavras)  e eu já a amo. Vou procurar livros dela pra Ana Luiza etc e tal.

A Sil não ganhou o prêmio, mas eu ganhei a noite, pelo evento e principalmente por revê-la.

Aí eu cheguei em casa e ganhei uma demonstração de carinho tão grande que realmente chorei. Porque é bom se sentir cuidada, sempre, mas principalmente em momentos em que a gente precisa se segurar pra não desabar nem deixar nada cair. Fazer malabarismos requer que a gente deixe de prestar atenção um pouco em si mesma… não é bom, mas não tem muito jeito.

Aí, no meio dessa felicidadezinha eu percebi que me tornei uma dessas pessoas meio complicadas. E eu realmente gostaria de ser mais simples. Vou tentar voltar a isso.

Ao mesmo tempo, fico me perguntando se não é uma cobrança besta. Do tipo “carai, eu não posso mais ter problemas? eu tenho que sorrir sempre e estar sempre com vontade de conversar?”.

A pergunta ficou no ar. Mas não vai estragar minha felicidadezinha. Resolvi que não. Não tem pra quê. Vou pensar nisso, vou tentar melhorar. Mas essa leveza de hoje vai permanecer.

E amanhã, se tudo der certo, o chat até ficará aberto. Então, pode dizer oi. Eu juro que não vou morder.

Publicado por: Rina Pri | 23/09/2013

E se eu tivesse casado aos 26?

::: cozinhei. fiz refogado de legumes, fiz sopa, coloquei roupa na máquina, lavei louça, dei um tapa na cozinha. fui tomar banho, lavar o cabelo, deixar o cansaço da insônia de ontem descer pelo ralo. junto com a água também foram uns pensamentos.

e se outro dia eu fiquei pensando em quem eu era há 10 anos, hoje pensei nuns “e se…” da vida.

se eu tivesse casado mais nova. se eu tivesse casado aos 26 com aquele namorado. se eu tivesse conseguido o que realmente queria aos 26.

é muito “e se” pra uma vida só.

se eu tivesse feito qualquer uma das coisas que poderia ter feito aso 26 (26/27) minha vida teria um rumo totalmente diferente hoje.

acho que certamente estaria em outra cidade – nem em São Paulo, nem em Vitória. talvez no interior. ou em outro estado. provavelmente teria um filho ou mais (e eu nem sei, hoje, se quero ter filho).

muitíssimo provavelmente eu não estaria trabalhando com internet. talvez tivesse continuado dando aula de inglês.

eu teria outros amigos, igualmente tão caros como os que tenho hoje, mas não tenho certeza se tão “na saúde e na doença”, se tão pra amar e odiar e brigar e aceitar e levar esporro e concordar e discordar. tudo assim. grupos inteiros que me aceitam como e porque eu sou.

mas o pior de tudo: se eu tivesse casado aos 26 eu não seria a eu que sou hoje. eu não teria me descoberto mais cristã do que já fui (não evangélica, ok? pfv, diferente), não teria me entendido feminista (que sempre fui, foi questão de entender isso), não teria engordado e me aceitado como sou nem desejado emagrecer por mim, apenas e simplesmente por mim.

naquela época me disseram que eu era muito “Alice”, vivia num mundo de fantasia. eu discordava – e discordo – que era assim. podia não ser a pessoa mais sensata e madura do mundo (até hoje não sou assim, não é mesmo?), mas não era alienada, não era uma Alice nesse sentido pejorativo que tentaram me encaixar.

mas, obviamente, enxergava o mundo de forma um tanto diferente de hoje. na minha percepção, hoje tô muito melhor – vejo mais possibilidades, mais cores, sabores, texturas, mais diversidade. e aceito tudo isso muito mais suavemente.

hoje, ao olhar para os meus 26 anos, entendo que a crise entre casar porque “tem que ser” e não casar porque “não é bem assim que quero” era grande, e fico muito, muito feliz por ter conseguido, naquele momento, saber principalmente o que eu não queria. pois foi a partir daí que eu consegui quebrar várias coisas e começar a viver o que é a minha vida hoje.

e hoje, apesar de sozinha, não poderia me sentir melhor do que estaria se tivesse casado lá atrás. aliás, a sensação que tenho, e é muito forte, é que a coisa teria acabado pouco depois de começar e que hoje eu não seria nem eu atual, nem eu aos 26 anos – ou a eu que eu sonhei com 26 anos,

eu acho que não sou, hoje, quem eu sonhei ser aos 20 e poucos. aliás, eu nem tenho muita certeza se tinha alguma expectativa para mim. acho até que poderia, sim, estar melhor. mas de maneira nenhuma posso dizer que não estou bem. aos trancos e barrancos, caindo de vez em quando (literalmente, e usando o advérbio da forma correta, já que eu realmente caio bastante :P). mas me levantando, aprendendo e não querendo, por nem um minuto, ter aquela vida que não tive, ter optado por algum outro caminho. fico feliz de perceber que eu faria quase tudo da mesma forma.

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